Como fica a atratividade dos projetos FV em GD com a nova dinâmica de financiamento?
Por Lincoln Romaro

Introdução

Em vista de aprofundar nosso estudo macroeconômico para energia solar em Geração Distribuída, seguimos na linha dos artigos anteriores que delimitaram os públicos alvos e regiões mais propícias de prospecção de novos negócios, seguindo a nova realidade econômica que irá se alastrar pelo país.

Neste artigo iremos a fundo em entender a dinâmica do impacto das novas taxas de juros com os públicos alvo potenciais de conseguir um financiamento e cruzar com as cidades com potencial econômico de manter um volume mínimo de negócios (maior inércia econômica).

Primeiro ponto que precisamos compreender está em como avaliar a atratividade de compra, ou seja, o ponto de sensibilidade que faz com que o cliente final, comprador, tome uma decisão positiva para a compra e financiamento.

O ponto focal do estudo realizado se deu em analisar a realidade econômica do antes e depois que o cliente compra o sistema FV, ou seja, qual o impacto real na conta de energia em conjunto com a parcela de financiamento que o cliente estaria se compromissando pelos próximos 5 anos.

 

O financiamento somado com a sua conta de energia residual é maior ou menor que a sua conta de energia original?


Afinal o que seria a conta de energia residual? Em geração distribuída, mesmo em casos onde existe a geração de 100% da energia consumida no mês, o cliente paga por uma taxa mínima de uso do sistema de distribuição (proporcional a sua classe de tensão de conexão e tipo de conexão), existe o custo da iluminação pública (paga por todos os consumidores) e existe ainda o custo da incidência do ICMS sobre a parcela da TUSD sobre o consumo efetivo medido (apesar de em MG não haver a cobrança por legislação própria do estado, em alguns estados já existe o mesmo entendimento e também não cobram esta parcela de ICMS, porém neste estudo consideramos apenas essa exceção para MG)  

Para conseguirmos analisar de forma coerente o que o cliente estaria pagando no final do mês, é fundamental entender o custo da operação financeira e entender o efetivo impacto nas parcelas do financiamento (que em suma se somaria a conta de energia residual, representando o gasto global mensal a que o cliente teria efetivamente), para isto é necessário definir algumas premissas do estudo. Com base no que analisamos nos artigos anteriores, definimos 3 perfis de cliente alvo que tomaríamos como base para entender a sensibilidade do financiamento na efetiva compra de um sistema FV.


RESIDENCIAL ALTO PADRÃO


Sistema 8 kWp, financiado sem entrada, em 60 meses e com duas taxas mensais de juros, de modo a trabalhar a sensibilidade do crédito com duas realidades distintas, os clientes com bom histórico de pagamento/ endividamento (taxa efetiva de 1,50%am) e clientes com histórico medianos de pagamento/ endividamento (taxa efetiva de 2,50%am).


COMERCIAL MÉDIO PORTE


Sistema 50 kWp, financiado sem entrada, em 60 meses e com duas taxas mensais de juros, de modo a trabalhar a sensibilidade do crédito com duas realidades distintas, os clientes com bom histórico de pagamento e/ou endividamento (taxa efetiva de 1,50%am) e clientes com histórico medianos de pagamento/ endividamento (taxa efetiva de 2,50%am).


RURAL PEQUENO PORTE

Sistema 30 kWp, financiado sem entrada, em 60 meses e com duas taxas mensais de juros, de modo a trabalhar a sensibilidade do crédito com duas realidades distintas, os clientes com acesso a linhas Agro subsidiadas (taxa efetiva de 0,80%am) e clientes com acesso a linhas Agro tradicionais (taxa efetiva de 1,20%am).

As taxas de juros e condições de financiamento que utilizamos em nosso estudo foi uma média com os ranges superiores e inferiores validadas com as instituições financeiras atuantes no mercado, baseadas em operações reais dos últimos 60 dias.

Outro ponto importante que devemos levar em consideração em nosso estudo é com relação à realidade regulatória do setor. Atualmente vivemos ainda um momento de incertezas regulatórias no mercado de energia solar e nesse aspecto utilizamos como premissa o modelo atual. Como em nossos casos, todos seriam em geração na própria carga, consideramos o efeito da isenção do ICMS na TUSD apenas no estado de MG, em todos os outros casos consideramos o retorno do ICMS da TUSD na conta final de energia do cliente, de modo a ser mais conservador com as análises de atratividade.

(Recomendamos alguns bons conteúdos relacionados a este assunto, caso este ainda seja um ponto de dúvida: https://www.youtube.com/watch?v=sSWUtDULu3c (Bright Strategies), https://www.youtube.com/watch?v=QkELYXJNNkA (Bright Strategies),  https://www.greener.com.br/impactos-da-mudanca-na-minuta-da-rn-482/ (Greener))

Num viés mais técnico, temos outros 4 aspectos que são fundamentais para que nossa análise saia o mais próxima da realidade, levar em consideração o preço em função do porte de cada sistema analisado, o fator de simultaneidade em função do seu perfil de consumo, levar em consideração a Tarifa de Iluminação Pública na conta de energia do cliente e levar em consideração a tarifa mínima de uso do sistema elétrico (em todos os casos analisados os sistemas se encontram em Baixa Tensão e teriam 100% de compensação do consumo).


RESIDENCIAL ALTO PADRÃO


Sistema 8 kWp, com CAPEX Unitário de 4,30 R$/Wp*, preço final estimado de R$ 34.400,00, fator de simultaneidade de 30% na geração solar, tarifa de iluminação pública de R$ 20,00 e foi considerado ainda um sistema em baixa tensão bifásico com consumo mínimo de 50 kWh/mês.


COMERCIAL MÉDIO PORTE


Sistema 50 kWp, com CAPEX Unitário de 3,62 R$/Wp*, preço final estimado de R$ 181.000,00, fator de simultaneidade de 60% na geração solar, tarifa de iluminação pública de R$ 40,00 e foi considerado ainda um sistema em baixa tensão trifásico com consumo mínimo de 100 kWh/mês.


RURAL PEQUENO PORTE

Sistema 30 kWp, com CAPEX Unitário de 3,67 R$/Wp*, preço final estimado de R$ 110.100,00, fator de simultaneidade de 70% na geração solar, tarifa de iluminação pública de R$ 40,00 e foi considerado ainda um sistema em baixa tensão bifásico com consumo mínimo de 50 kWh/mês.

*Dados coletados do Estudo do Mercado Fotovoltaico de Geração Distribuída Jan/2020 da Greener.

Após as definições das condições de contorno dos casos que queremos analisar, temos um panorama da realidade de curtíssimo prazo (<6 meses) visto que ainda é possível trabalharmos a sensibilidade de alguns fatores, como o impacto da alta do câmbio no preço final dos sistemas fotovoltaicos (que ainda não tiveram impacto direto em toda a cadeia proporcional a efetiva alta do dólar), e claro, os reajustes que virão nas tarifas de energia elétrica em função dos acordos que estão em fase final de negociação com as Distribuidoras de energia (aumentos esperados que ocorram ainda este ano). Mas este é um ponto delicado e deixaremos a análise mais minuciosa para nosso próximo artigo.



Analisando a Atratividade

Iremos analisar as cidades já mapeadas nos estudos anteriores que demonstram os mercados potenciais a serem prospectados de modo a entender em cada um dos municípios, qual o efeito da atratividade do sistema fotovoltaico em 3 análises de clientes: residencial, comercial e rural.

Os mapas de atratividade mostram o % de aumento (+%) ou redução (-%) do gasto relativo a conta de energia original (sem fotovoltaico), analisando a parcela do financiamento junto com a conta de energia residual a que este cliente terá que pagar. Para os casos onde o ajuste % é negativo, significa que o cliente pagará menos com o financiamento e a conta de energia residual frente a sua conta de energia original. No caso onde o % da positivo, significa que o financiamento junto com a conta residual é mais caro do que a conta de energia original do cliente.


Residencial

Para o cenário residencial o estudo de atratividade leva em consideração:

1.     Conta de energia estimada para um sistema de 8 kWp ter 100% de compensação;

2.  Financiamento simulado com taxas de 1,5%am e 2,5%am, em 60 meses, para um valor de financiamento de R$ 34.400,00;

3.     Análise da diferença % entre a conta estimada inicial vs a parcela de financiamento + conta residual estimada.

Análise Residencial
8kWp - R$ 34.400,00 - 1,5%am  60 meses

Percentual de aumento na conta energia original

Análise Residencial
8kWp - R$ 34.400,00 - 2,5%am  60 meses.

Percentual de aumento na conta energia original:
*Nas cidades em vermelho, podem existir valores superiores a 75% de aumento.

Comercial

Para o cenário comercial o estudo de atratividade leva em consideração:

1. Conta de energia estimada para um sistema de 50 kWp ter 100% de compensação;

2. Financiamento simulado com taxas de 1,5%am e 2,5%am, em 60 meses, para um valor de financiamento de R$ 181.000,00;

3. Análise da diferença % entre a conta estimada inicial vs a parcela de financiamento + conta residual estimada.

Análise Comercial
50kWp - R$ 181.000,00 - 1,5%am  60 meses

Percentual de aumento na conta energia original